Como a CLDF aprovou a compra do Banco Master pelo BRB

No dia 19 de agosto de 2025 a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o PL 1882/2025 que autoriza o Banco de Brasília (BRB) a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do capital social do Banco Master.

A votação se deu em dois turnos e em regime de urgência. O texto foi aprovado por 15 votos favoráveis e 7 contrários no primeiro turno; e 14 votos favoráveis e 7 contrários.

O negócio acabou não se concretizando porque o Banco Central vetou a compra do Banco Master pelo BRB em 03 de setembro. O BC avaliou que os problemas financeiros e os ativos de risco do Banco Master poderiam ser transferidos para o BRB, comprometendo a solidez da instituição pública do Distrito Federal.

Mesmo que o negócio não tenha se concretizado, o envolvimento do GDF e do BRB com o Banco Master trouxe grandes prejuízos para o DF e sua população - prejuízos que poderiam ter sido bastante maiores se o BC não tivesse vetado a compra. Portanto, é importante que a população do DF saiba como se deu a tramitação do PL que autorizou a compra na CLDF e como cada deputado e deputada votaram no processo.

Essa informação é ainda mais relevante em ano eleitoral.

Aprovação 19/08/2025 dois turnos, regime de urgência
1º turno 15 × 7
2º turno 14 × 7
Desfecho Veto do BC 03/09/2025

Como o projeto andou

A Tramitação do PL

A tramitação do PL se deu à toque de caixa. O projeto foi encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha no dia 14/08 em regime de urgência. A Secretaria Legislativa da CLDF promoveu o despacho no dia 18/08 e o projeto foi votado no dia seguinte, 19/08.

O projeto original não se limitava à compra do Banco Master. O texto enviado à CLDF autorizava “o Banco de Brasília S.A. (BRB) a adquirir participação em instituições financeiras sediadas no Brasil e no exterior, empresas com atividades próprias ou complementares às do setor financeiro, inclusive no ramo de tecnologia da informação (TI) e empresas com objetos sociais relacionados às atividades previstas no artigo 144, § 1º da Lei Orgânica do DF”.

Era, portanto, uma autorização genérica ao BRB. Esse ponto foi corrigido com a aprovação de uma emenda apresentada pela bancada do PT.

  1. 14/08 Governador envia o PL à CLDF, em regime de urgência
  2. 18/08 Despacho da Secretaria Legislativa da CLDF
  3. 19/08 Votação em Plenário, em dois turnos
  4. 03/09 Banco Central veta a compra do Banco Master pelo BRB

Iniciativa

Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal

Ibaneis Rocha

Governador do Distrito Federal — autor do PL 1882/2025

“A operação estava alinhada aos objetivos estratégicos do BRB de expandir resultados financeiros sustentáveis, ampliar a capacidade de competir por meio de parcerias estratégicas, consolidar a imagem de banco público completo, inovador e digital, expandir, rentabilizar, reter e recuperar clientes, e diversificar e oferecer portfólio completo de produtos e serviços.”

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília (CC BY 2.0)

Deliberação

Ao encaminhar o projeto, o governador solicitou que a proposição fosse apreciada em regime de urgência. Portanto, a matéria seguiu direto ao Plenário.

Em Plenário, foram aprovados os parecereces da Comissão de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo (CDESCTMAT); Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF); e Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Os relatores foram, respectivamente, Deputado Rogério Morro da Cruz (PRD); Deputado Eduardo Pedrosa (UNIÃO); e Deputado Robério Negreiros (PSD).

Todos os parecereces foram favoráveis à proposição com a Emenda nº 1, na forma da Emenda Substitutiva nº 5.

A Emenda Emenda nº 1 foi apresentada pela Bancada do Partido dos Trabalhadores. O objetivo da emenda foi a retirada dos arts. 1º e 2º do projeto original que concediam uma autorização genérica para outros negócios do BRB e, assim, restringir o projeto à aquisição do banco Master. Segundo a bancada do PT, o projeto era uma “carta branca para que a Diretoria do BRB faça o que quiser com a instituição financeira, o que não pode ser aceito de forma alguma.”

Vale destacar que durante a discussão, nenhum deputado da base discursou defendendo o mérito do projeto. Esse fato foi registrado pelo deputado Max Maciel (PSOL) que afirmou que "chama a atenção que nenhum parlamentar da base teve coragem de defender esse projeto no plenário.”

“Chama a atenção que nenhum parlamentar da base teve coragem de defender esse projeto no plenário.”

Deputado Max Maciel (PSOL)

Os números

A Votação

A votação do PL se deu em dois turnos.

1º Turno 15 × 7 favoráveis   contrários
2º Turno 14 × 7 favoráveis   contrários

Os deputados Daniel Donizet e Joaquim Roriz Neto estavam licenciados nas duas sessões e não entram nesses totais. O deputado Thiago Manzoni votou "Sim" no 1º turno, mas não consta na lista de votação do 2º turno.

Votos por partido

Voto a voto

Como Votou Cada Deputado

Clique em cada deputado(a) para ver como votou em cada turno e o que disse em Plenário.

Favorável Contrário Licenciado / não votou